sábado, 24 de outubro de 2009

Ainda existe onde João e Maria fazem sentido,
o pôr-do-sol que fizemos só nosso,
as fotos que só trazem boas recordações.

Custo a entender o que deixou de existir.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Uma certeza.


As regras de um poeta são as regras de uma vida.
Não as sigo. Nenhuma.
Cabral descobriu que ninguém é tão interessante para falar de si mesmo o tempo todo.
Cabral sabe é falar de si mesmo em infinita pessoa.

Se é que há sentimento impessoal,
Cabral deve ter descoberto também,
mas não serei estivador dos poetas regrados.

Vamos falar de amor, para sermos protagonistas
de uma história bem vivida, bem contada e escrita
na areia do Ribeirão.

Vamos falar, sim,
dos beijos, das discussões,
de como deitamos ou
passeamos com os pés molhados.

Ali com as ondas,
nossos passos redigem poemas,
ditam certezas que o tempo leva
em vão.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Uma nova política.

Uma nova rotina. Na verdade, inteiramente nova rotina. A primeira. Tentaremos.

sábado, 12 de setembro de 2009

Durmo tarde.

Faz muito tempo que não escrevo. Tanto que não tenho certeza se realmente deveria estar tentando escrever. Queria mesmo era ter a constância, hoje traduzo isso como perseverança, dos que atualizam seus blogs ou diários todo dia. Porquanto, não digo que me contento, mas me conformo com o meu jeito.

Muitas vezes, é preciso dizer, deixei de registrar o que pensava aqui por estar no banho. Pensei até em deixar um bloquinho de notas e uma caneta no banheiro. Seria desperdício de papel, só minha imaginação parece não saber que água molha.

Também ando angustiado com a frequência com que me pronuncio na primeira pessoa. São tão interessantes as pessoas que falam de ideias, aquelas coisas que não precisam de pessoa nem tempo para serem faladas. Não me sinto interessante.

Fundamentalmente, o que chateia mesmo é a distância que nos afasta. São 17 quilômetros às vezes, nem sempre tanto, de vez em quando muito menos (muito mesmo), mas ainda assim me sinto longe. O que houve, meu amor?


Algumas pessoas têm a dádiva de estarem juntas mesmo residindo em continentes diferentes. Estamos porta à porta, em momentos diferentes.

Queria viver tua vida, e quem sabe tu viveres a minha também, ou seja, que nossas vidas estivessem intimamente ligadas. Mas tu não vens aos meus compromissos, e eu não vou aos teus - até porque não sou convidado-, e tu também não me ligas nunca, e eu penso em não te ligar mais por acreditar muito na lei da recíproca. Chato?

Como eu disse, não me sinto interessante. Interessante é pensar se o nível desse blog cai ou sobe com um texto destes. Vou dormir ao amanhecer e acordo ao Video Show.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Bom dia!

Mesmo que não tenhas perguntado, e acho que dificilmente perguntarias, eu vou falar.
(pra não dizer que não falei dos cactos)

Ontem, acordei mais cedo do que poderia e do que imaginava que fosse - fator fundamental na hora de escolher, inconscientemente, se devemos voltar a dormir ou não. Aliás, existe decisão nos atos inconscientes?

Passei a manhã inteira lendo o que não me engrandece, assistindo a programas da televisão que não me alegram, exceto Bob Esponja, esperando piscar na tela desta máquina o acontecimento primordial de todo dia: "Ela acabou de entrar".

O almoço chegou no mesmo voar de tempo em que se vai um desenho animado, lerdo, como tudo que se possa fazer sem a tua companhia.

Tive que ligar. Praticamente te acordei, na verdade, e isso nem é mais novidade. Disse que iria te buscar, que às 16h estarias aqui. Às 15:17 ainda estava falando disso, às 16h estacionamos na casa ao lado da minha. Nunca duvide de mim - para o bem ou para o mal.

Como foi o tempo depois disso? O suficiente para entrar na eternidade, como sempre. A duração de cinco filmes parecem mais um instantâneo em nossas mentes. Apesar da porcaria cinematográfica ("só podia ser brasileiro..."), do preço da gasolina, ou da tua decepção pela falta de lontras no mangue, ou pela falta de disposição da tartaruga quando fora do aquário - ela parece ter herdado bem os genes da espécie, afinal. Nem mesmo a nega maluca da minha mãe (sic), ou os pães com queijo, milho, presunto e margarina, conseguem ser a melhor parte do dia, no entanto. A melhor parte do dia está em nós.

Talvez por esse motivo esteja evidente o processo de dependência, daquelas irreversíveis. Se só me sinto completo ao teu lado, os momentos de vazio são somente cactos. Certo mesmo é que todo homem deveria ficar viciado em UMA mulher como a que tenho.

Um privilegiado. Posso descansar minha retina frente a tua e guardar à sete chaves em algum recôndito mané, engenheiro ou "simplesmente" amante: preenches qualquer parte do ser. Lidas com as manias, os defeitos, as chatices desnecessárias e transformas todas, sem que eu note, em algo mais ameno, mais produtivo. Discuto contigo rindo, por mais duras que sejam nossas cabeças, e concordo mesmo que à revelia, chorando por dentro, se estiveres certa. Ah, ninguém mais consegue isso. Ninguém.

Quando a porte se abre, lá na Serraria, e desce do carro o meu amor, fica consigo meia parte de mim. Assim terminam os dias incríveis - no literal e no clichê.





terça-feira, 14 de julho de 2009

Caminho

Hoje, traça as trilhas do pensamento - para que saibas evitá-las amanhã.

Usa migalhas de arrependimento, barbantes de remorso, lanternas de orgulho. Não edifica qualquer lembrança positiva sobre, são atalhos perigosos.

Aproveita então o tempo nestas veredas, suficientemente para satisfazer as cotas de aflição, ansiedade, dos labirintos desta noite.

Ao dormir triste, que acordes feliz. Santo é o amor que nos faz refletir.


Amém

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Um leve desespero

A família sente a falta.
Não por menos, faz pouco mais de quatro dias que o silêncio alojou-se n'alma.
Um fundo azul e branco é o refúgio da ansiedade.
Assim será.
Silêncio enquanto a vida não falar.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Oi, amor



Faz tempo que não te visito, não?
Deves me achar um idiota, eu não nego a alcunha. Sou mesmo um tolo, um cara bem bestinha, como diria uma menininha mais mimada.
Se não sabes porque te escrevo, é porque não me conheces o suficiente.
Uma vez disse amar sem ser, não para ti, mas disse. Agora posso afirmar que amo e sou.

Demonstrar o contrário criou remorso impossível de ser revertido tão cedo,
só penso neste exato momento em compensar o que não fui na última semana,
só penso em ser novamente eu.





É contraditório?
Um arrependimento tão egoísta motivado pelo amor que por ti eu nutro,
uma vontade tão imensa agora de ser para ti hoje e amanhã o que eu não fui durante 6 dias.

Nunca pensei em dizer isto outra vez,
admitir toda a minha pequenez.
É, eu sou burro, minha bela, bela minha, minha.

terça-feira, 31 de março de 2009

LADAINHA POR MAIS UM ANO


Ó vós que vivestes e estais no céu, intercedei nas alturas pelo bem desta cidade que faz hoje mais um aniversário.
Ó Francisco Dias Velho, que de Piratininga viestes para garantir que a "terra é boa e quem disser o contrário mente", pedi à Senhora do Desterro que tão bela frase não deixe de ser verdadeira pelos séculos e séculos;
Ó Frei Agostinho da Trindade, entusiasta do povoamento (e vós mesmo um povoador com a meia dúzia de filhos havidos com Natária Gomes Coelha), falai com o Senhor para que não deixe isto aqui crescer além da conta, senão lá se vai nossa tranqüilidade;
Ó Padre Mateus de Leão, ó Dona Clara Mansa de Avelar, que escolhestes Santo Antônio de Lisboa para refúgio e prazer de vossas vidas; ó Padre Manoel Cabral de Bittencourt, primeiro vigário da Lagoa, ó Manoel de Vargas Rodrigues, que erguestes no Ribeirão da Ilha a igrejinha da Senhora da Lapa - trabalhai vós todos para que o que resta de lindo nesta terra não seja maltratado pelos predadores, pelos gananciosos, pelos ineptos;
Ó Joana de Gusmão, que recolhestes da caridade pública, vintém por vintém, o necessário para levantar na col ina a capela do Menino Deus; ó Irmão Joaquim, que ao lado da Capelinha de Joana plantastes o Hospital de Caridade - ó vós dois, bom par de anjos, olhai mais e mais pela saúde deste povo.
Ó preta Maria Baiana, que fostes para uma das ilhas Ratones socorrer os desenganados da peste e lá deixastes a vida; ó Artista Bittencourt, sapateiro remendão que doastes vosso sofrido ganho à causa da liberdade dos escravos - ó vós dois, orai junto a São Benedito e outros santinhos humildes para que ponham humildade e humanidade no coração dos que têm poder;
Ó vós todos, ilhéus e forasteiros que amastes este chão e aqui deixastes algum sinal de amor, rogai por nós.
Rogai por nós, mansos carijós, navegantes seduzidos pela graça deste paradouro, açorianos sonhadores, mortos de Anhatomirim; rogai por nós, rural poeta Marcelino Dutra, melancólico Juvêncio Martins da Costa, torturado Cruz e Sousa, imponente Vitor Meireles, cantante José Basilício, finíssimo Othon d'Eça, fantástico Franklin Cascaes, nostálgico Martinho de Haro; rogai por nós, amigos Luís Henrique Rosa e Bento Silvério. Ó vós todos que citei e vós todos que, às centenas, podia citar, velas por nossas ruas e casas, por nossas dunas e árvores. Defendei-nos, ajudai-nos. Fazei, por exemplo, com que o turismo seja para nós um bem e não um mal, com que saia duma vez a terceira ponte, com que aqui não prospere a praga dos traficantes. Poxa, que há tanta coisa...
Mas, acima de tudo, bons espíritos, fazei com que entedamos de verdade que vivemos numa das maravilhas do mundo.
Assim seja.

- por Flávio José Cardozo, em Senhora do Meu Desterro, Editora Lunardelli, Fundação Franklin Cascaes.
Transcrito sem autorização, mas não creio que o autor fique fulo por ver propagada esta declaração de amor a nossa terra.

quinta-feira, 5 de março de 2009





Vamos rumar o caminho do vento,
aonde o sol ainda não tenha chegado ou a chuva ainda não tenha parado
Tudo que almejemos não passe de um bom prato de comida, algum dinheiro no bolso e bons amigos
Que haja nestes lugares sempre um novo amor, um novo amigo
mas tu sejas sempre a minha única menina
E se os ventos nos levarem às águas,
que sejam sempre de alegria,
sejamos lágrimas de felicidade nestes oceanos de melancolia.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Amor sem script

Poderia ter dito há 2 semanas que te amo
Postergo a data para que o amor não seja susto
e o susto não seja reflexo de precipitação
fruto de clichê.

Bem verdade, poderia ter sido há mais de 2 semanas
poderia ter sido antes do primeiro beijo
ou da primeira madrugada
Antes de qualquer 12.

Poderia ter sido coisa de televisão,
daqueles amores avassaladores de que se tem certeza de que é amor ao primeiro olhar
ou, no mais tardar, ao primeiro pousar de lábios no rosto alheio

Mas é do nosso jeito,
se o sentimento definir o destino
poderemos ganhar mais que um Oscar de melhor roteiro.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

um astro a por nós olhar...

A luz nasceu
O céu ganhou a cor
E anoiteceu

Sob o mesmo céu que o poeta chorou
nós somos dois tolos a sorrir
vendo a lua sentados no farol
ou deixando as ondas enterrar nossos pés
fazendo brotar a tentação, força maior
de amanhecer sobre a grama
tendo de vigia aquela que nos adotou
e conosco vai dormir ao nascer de um novo dia
de um novo sentimento











domingo, 22 de fevereiro de 2009

Nós podemos chorar a despedida de alguém,
Podemos aguentar o fato de perder esse alguém,
Aguentar eternamente a ausência desse alguém,
Eternamente lamentar a perda do alguém,
Lamentar vivendo a falta do nosso alguém,
Vivendo querendo retroceder o tempo até o início da existência do alguém,
Querendo novamente tudo aquilo que levou ao fim da vida com aquele que sempre será alguém,
Novamente todos os erros que o fizeram alguém,
Todos somente nossos, alguém,
Somente como se pode viver com quem é alguém,
Como devemos, na verdade, viver com quem é alguém,
Devemos valorizar o nosso alguém,
Valorizar para quando perder o ter alguém,
Para quando pensarmos não sermos mais ninguém...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

manutenção no computador. até quinta.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

A gente não é mais brasileiro


A gente adora dizer que é brasileiro quando vai pro estrangeiro, mas a gente consome tanto do que é de fora, simplesmente porque é de fora, que a gente só sabe que a gente é brasileiro porque a gente nasceu ouvindo que a gente é do Brasil.
A gente gosta de tainha frita, mas a gente agora come sushi porque a gente adora valorizar o que não é do Brasil. A gente ama macarronada, que já é coisa de colono, mas agora a gente come macarrão de astronauta porque é comida de astronauta, oras. A gente adora pescar de linha, mas agora a gente usa molinete porque o cara da televisão usa. A gente gosta de ver uma tarrafa sendo lançada, mas a gente já não sabe mais fazer isso, imagina se a gente vai saber fazer uma tarrafa. Mas a gente valoriza e diz que a tarrafa é coisa de mané. É que a gente valoriza o mané, mas o espertalhão é sempre mais bem visado pela gente. Sabe como é, se o sujeito é esperto a gente dá mais corda porque pode ganhar mais com ele. Mas a gente esquece que é esse o sujeito que mais pode tirar da gente também, mas a gente já nasceu assim dando bola mais pro esperto, então a gente continua assim.
A gente valoriza os nossos valores como a gente valoriza as nossas coisas. A gente gosta do que é da gente quando é pra dizer pra quem não é da gente que a gente é brasileiro. A gente gosta de mulher com bunda, mas se tiver só peito a gente não liga mais. A gente não faz questão de ser brasileiro. O Brasil nem nasceu sendo brasileiro, como que a gente vai ser brasileiro. A gente não tá nem aí pro que é ser brasileiro. A gente nem sabe, mas a gente é mais estrangeiro que brasileiro e nem dá bola.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Setenta e dois

A fé está enterrada a sete palmos dos meus pés
Vocês ainda olham para o céu e agradecem esse Deus que os faz felizes

Dêem graças ao tédio:
do júbilo nada se leva

Do júbilo só as lembranças ficam inertes

Em meio ao caos, o júbilo é a esperança do regresso
do sorriso da criança pobre
da face da mulher ao observar o amamentar alheio
do pai que ri com o pedalar do filho.

O júbilo é a fonte do sofrimento,
que caminho tem o homem se não sofrer?

do júbilo há tanto não desfruto
há tanto não mais aflito

do júbilo há tanto não desfruto
há tanto não mais do passado

do júbilo há tanto não desfruto
há tanto tempo cansado

Não há despertar para o sono da fé.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Era uma tampinha. Mísera e solitária, jogada, abandonada por um porco capitalista. Provavelmente largada ali, no meio da rua, por algum gordo (assim como eu). Mas esse que a largou assim displicentemente renegada ao asfalto quente e judiado pelos pesados pneus de jumbos terrestres, não imaginara que um dos seus semelhantes daria àquela tampinha um tratamento decente.
Tirei-a do chão, observei bem o letreiro demoníaco para tantos, senti minhas anotações em um dos bolsos e ali os ajuntei: tampinha e colas.
Lá estava, estavam, a caminho do lixeiro: eu, a tampinha, as colas. Apalpando as paredes do bolso, procurei pelo pinicar das extremidades da minha recém-adotada. O caminho do lixo ela tomou, caminho semelhante minha honra seguiu naquele instante.
Já não imagino-me mais tão bom. Não vejo mais vantagens no meu ato.
Quero eu que a tampinha não tivesse aparecido e vossa poluição mate a todos, mas minha honra não mais volta - apesar de que o lixeiro em nada ficaria mais sábio.

sábado, 29 de novembro de 2008

eu sinto vontade

há algumas coisas das quais quero desvencilhar-me: orkut, solidão, falsas paixões.
ficam ilha, saúde, leão e família.
só Deus sabe o que será.

sábado, 8 de novembro de 2008

pequena reflexão

Diz-se normalmente que nunca estamos contentes. Se alcançado um objetivo, não demora querermos mais e melhor para saciar a sede pelo que é superior ao nosso poder. É pensamento inconteste da sociedade. Todos culpam o homem por não contentar-se com o que tem, sempre querer mais.
O homem enche-se de gozo e alegria quando atinge suas metas. Gozo, alegria, tão breves. Nunca pensou-se que é o excesso disto que move o homem?
É a busca de júbilo por ser humano, pensar e realizar, que ao longo dos milênios nos trouxe ao planeta tal como está hoje. É possível, portanto, idealizar um mundo sem contentamento, prazer. Sim, um ideal.
Se nos foi dado o prazer não só por procriar, então por isto somos especiais? Seria muito egoísmo pensar estar toda a Terra destinada a ser nosso lazer?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Declaração de quem te ama sem ser


















Desculpa, minha bela. Eu é que sou burro. Primeiro crio o encantamento, então a paixão, por consequência o amor, sem conseguir frear o ímpeto por realizar esse sonho teu de não só ter um amado, mas um amante.

Mas eu sou burro, minha bela.
Supri todas as necessidades, minhas e tuas, e ainda assim algo faltou-me. Então não vejo porque continuar. Tudo que construí, construímos, coloco abaixo sem qualquer remorso pelo que passamos, só pelo que passaremos. É o chamado remorso pelo futuro: eu sei que tu sofrerás assim tão distante, mesmo tão perto, e comigo não será muito diferente. Passarei por angústia, como tu passarás, pois este amor que julguei estar sentido será para mim como um quadro: tão apreciado, talvez de nossa autoria conjunta, no entanto com uma só assinatura. Cada aparição dos longos cabelos escuros, dos olhos amendoados ou dos lábios finos perfeitamente moldados aos meus será alumbramento, mesmo que não sejam os teus, mas lembrem de longe. Isso porque eu te amo, porque tu me amas, e mesmo assim algo me falta.
Nós talvez sentíssemos muitas mais vezes a brisa do mar quando o sol resguardasse-se vermelho nas nuvens e a a lua já estivesse visível em meio ao céu colorido. E como se a maré não subisse e os bares não fechassem, ali ficaríamos abraçados ao som do mar que já nos molhasse os pés a cada onda, sem precisar de muitas palavras, gestos e beijos não barulhentos ou espalhafatosos, na bochecha que fossem, nos denunciaria o carinho que cultivamos sendo cada vez mais afáveis no dia-a-dia. Seríamos auto-suficientes em dobro, mesmo sendo um só. Mas não me sinto tu, nem tu deves sentir-se eu. Meu amor, eu acredito que ainda possa ser um só com alguém, então procurarei mesmo sabendo que sofrerei por ti. Eis o remorso pelo futuro, novamente. Pois eu sei, doerá em nós cada vez que repetirmos uma simples palavra de quatro letras em nossas converas, essas que serão tão mais raras com a raiva que criarás de mim.
Queria tanto também ser tu também,

Mas eu sou burro, minha bela.
Estou convicto de que possa existir essa união com que sonho, pois contigo estive tão perto dela. Arrisco tudo porque fui feliz.
É, eu sou burro, minha bela, bela minha, minha.